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Perdas superiores a 30 milhões nos horticultores da Póvoa de Varzim
2021-02-19
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Os horticultores da Póvoa de Varzim registaram perdas superiores a 30 milhões de euros na faturação de 2020 e pedem agora ao Governo que enquadre o setor no lote dos apoios no âmbito da pandemia de covid-19.

Segundo a Horpozim, associação empresarial hortícola sedeada neste concelho, mas que também abrange agricultores de Vila do Conde e Esposende, as perdas médias na faturação das explorações rondam os 40%, deixando várias empresas "em risco de sustentabilidade".
"Uma perda de 40% na faturação significa estarmos no limiar de perder ou ganhar dinheiro com a atividade. Há muitas explorações em grandes dificuldades para manter a sua capacidade de continuar a produzir", explicou Manuel Silva, presidente da Horpozim, à agência Lusa.
O também empresário deu o exemplo da sua própria exploração, que em janeiro deste ano registou uma quebra de 54% na faturação, em comparação com o mesmo período de 2020.
"Dou emprego a 14 pessoas, e para poder pagar os salários referentes a janeiro tive de fazer um grande esforço. Não sei se no final deste mês vou ter dinheiro para pagar os encargos", disse Manuel Silva.
O presidente da Horpozim lembra que grande parte dos produtos hortícolas consumidos na região Norte, como alfaces, tomates, cenouras ou cebolas, saem das explorações do concelho, mas com as contingências da pandemia de covid-19 a procura "caiu abruptamente".
"Estamos a falar de produtos perecíveis e muitos deles sazonais e que exigem uma colheita imediata. Com o fecho das cantinas escolares, restaurantes, hotéis, centros comerciais e muitos mercados e feiras, não conseguimos escoar a produção, nem sequer para exportação", referiu o dirigente.
Manuel Silva referiu que muitas das explorações da região são "minifúndios de caráter familiar", que não se enquadram nos moldes das linhas de apoio lançadas pelo governo para a economia, mas que representam "a sobrevivência de muitas famílias".
"Não queremos um tratamento diferenciado, mas sim que nos deem a possibilidade de nos candidatarmos. Os programas de apoio tinham de ser mais abrangentes para enquadrar o CAE da nossa atividade de produção agrícola", alertou Manuel Silva.
O responsável da associação diz que muitos produtores "estão descapitalizados e sem capacidade de investimento", falando "em preocupação e desmotivação" para continuarem numa atividade "essencial para o país".
"É um problema empresarial, mas que pode em muito breve passar a problema social", concluiu Manuel Silva.
A Horpozim tem atualmente 800 associados, mas são mais de 2.000 as empresas que têm atividade direta e indiretamente ligada à horticultura no concelho da Póvoa de Varzim, representando mais de 10 mil pessoas.

Foto: A Cientista Agrícola
 
 
 
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